quarta-feira, 19 de maio de 2010

Manifesto de Pais de Alunos Sobre a Greve dos Professores


Nós, pais de alunos de escolas estaduais de João Monlevade, reconhecemos que a qualidade da educação pública está péssima, falta professores capacitados, o conteúdo não é compatível com os exames exigidos nas provas de vestibular e no ENEM.

A educação pública não é gratuita, nem é um favor, e nem uma caridade. Ela é paga com nossos impostos.
Entretanto, a sociedade parece ignorar esses fatos, pois não reclama da péssima qualidade da educação que lhes é entregue.
A maioria dos professores dá o sangue para a escola, respeitam a sua profissão, mesmo não sendo respeitados pelo sistema e pela sociedade.

Somente quando fazem greve, as autoridades e a população lembram-se da sua existência e da importância dos professores. É neste momento que a sociedade se lembra que o trabalho da categoria é importante.

Se a educação caiu até chegar a esse ponto, a nós somos os principais responsáveis, porque nunca vimos um pai ou mãe de aluno protestando e exigindo das autoridades uma melhoria de um serviço que é pago com seus impostos. Ninguém nunca protestou contra promoção automática, mesmo sabendo que seu filho não está apto a ser promovido para a série seguinte. Nós, pais de alunos e toda a sociedade, sempre nos calamos.

Os professores reclamaram, mas os governantes não deram atenção, pois eles se esqueceram que não dependem só do voto dos professores para se elegerem, mas também do nosso voto. Do voto de alunos maiores de 16 anos de idade, dos pais e do povo em geral.

Mas se nós – povo – nos organizássemos, fazendo passeatas, cobrando dos administradores – vereadores, deputados, prefeitos, governadores, senadores e presidentes – representantes eleitos pelos nossos seus votos, a educação pública teria qualidade.

Mesmo no tempo da ditadura, a sociedade exercia a sua cidadania, ia para as ruas, cobrava as autoridades, lutava e defendia os seus direitos. A educação não era perfeita, mas era bem melhor do que a que atualmente é ministrada.

Serviço público de qualidade é direito, pois pagamos por eles através dos impostos, portanto é nosso dever, cobrar qualidade, como também exigir dos nossos representantes o cumprimento de suas funções, afinal os elegemos para ADMINISTRAR os bens públicos.

A sociedade se sente indignada, mas não protesta quando os parlamentares aumentam os seus salários ou desviam verba Pública. Cabisbaixa a população se cala, finge que não vê, se esquece que é o seu dinheiro que está roubado pelos seus representantes.

Se queremos ver os professores de nossos filhos dentro de sala, temos que lutar, cobrar uma educação de qualidade do governo.

A partir do momento que a educação for valorizada e conduzida da forma que deve ser, o salário do professor será digno, as escolas terão recursos e os estudantes das escolas públicas – nossos filhos, terão acesso às universidades públicas.

Devemos valorizar o dinheiro dos nossos impostos, exigindo uma educação de qualidade.

PARABÉNS PROFESSORES – ensine-nos o que é dignidade, e a fazer valer nossos direitos.

Assinado :

Povo Digno Que Vota.


Extraído do blog Whiskyagogo (www.whiskyagogo.wordpress.com)

terça-feira, 18 de maio de 2010

E a imprensa?

Ao que parece, a imprensa mineira só percebeu que há quase um mês centenas de milhares de alunos das escolas estaduais estão sem aulas, quando o desembargador Marotta mandou que a greve acabasse.

A decisão foi notícia hoje nos jornais Estado de Minas, O Tempo e Hoje em Dia, entre outros. O Portal Uai, dos Associados, abriu espaço para a notícia. Nos 26 dias anteriores, só se referiu à greve, assim mesmo superficialmente, por cinco vezes. Ontem, às 19h11, sob a manchete “Justiça suspende greve dos professores da rede estadual”, o portal informou sobre o que decidira Marotta. Até as 15h50 de hoje, o portal registrou 121 comentários à notícia.

Escreveu o leitor que se identificou como Volney Costa: “Professores, sou de Belo Horizonte, acompanho tudo pela imprensa , e não tinha visto nada noticiado. Já ouvi dizer que tem muitos jornalistas na folha de pagamento do estado. Não seria possível requerer judicialmente quais os jornalistas estão na folha, pois não noticiam nada?” Fabrício Leite, pouco antes, escrevera: "Nossa! quando é contra os professores vocês procuram colocar a maior letra; a favor desse estado irresponsável, o destaque é grande. Mas, mesmo assim, quero agradecê-los, porque ainda é o único espaço que temos para colocar a nossa insatisfação contra esse governo sanguessuga."

Este comentário, me fez sentir mais vergonha ainda do meu contracheque:

“Sr. Desembargador Wander Marotta: O auxílio reclusão de um assassino, estuprador, ladrão, pedófilo, contrabandista, traficante, etc... é de R$ 700,00. O salário base de um professor P1 em Minas Gerais é de R$ 336,00 ( menos que o salário mínimo); por isso, A GREVE CONTINUA...”

Houve quem duvidasse dessa choradeira. Um leitor, José Roberto da Silva, escreveu: “Caro Rodrigo , gostaria de ver um contracheque com estes valores que vocês estão dizendo; o governo diz uma coisa, vocês dizem outra, em quem acreditar?”.

Pois é: seria o trabalho da imprensa esclarecer isso... De qualquer forma, há ainda quem acredite na independência da imprensa mineira. Como parece ser o caso de Rodrigo Sousa, que respondeu a José Roberto: “assista amanhã o Jornal da Alterosa, estarei lá mostrando meu contra-cheque de 356,00 e os meus diplomas de mestrado e doutorado, o investimento que fiz para ser professor público.”

Desabafo de um pai cujos filhos estudam da Rede Publica Estadual de MG

Bom dia!


Sou um homem de 42 anos e penso viver em um país democrático onde os direitos dos cidadãos são respeitados, ou melhor deveriam ser, a imprensa que sempre viveu em busca de liberdade de expressão e vive falando sobre isso na TV não está ligando a mínima para os problemas do país. Hoje aqui em Minas Gerais lutamos para que nossos filhos tenham um pouco de dignidade e um futuro que não precisa ser igual a maioria dos pais, exemplo eu, sou vendedor autônomo e luto por dias melhores para minhas filhas, uma de 11 anos e outra de 16 anos, que estão impedidas de estudarem por negligência de um Governador que insiste em colocar Minas Gerais como exemplo da nação.Que Minas é essa, que não paga os professores o que lhes é devido e ainda colocam cabresto nas emissoras para não divulgarem uma greve que causa vergonha aos governantes. Será que o Governador Aécio tem recebido em dia? Onde está a TV e a liberdade de imprensa tão falada ? Porque ninguém está falando da greve dos professores aqui em Minas, onde estão as Televisões que não divulgam. Peço-lhes encarecidamente como cidadão brasileiro e Mineiro que sou, que vcs MIDIA tomem providência a respeito disso, pois o movimento de ontem na praça da Liberdade juntou mais de 20.000 professores de toda a Minas Gerais e nada saiu na TV. Por que isso ? Há 16 anos que os professores mineiros trabalham sem aumento salarial. E o que tenho eu com isso tudo ? Sou um pai preocupado com os estudos de minhas filhas que estou sendo obrigado a mudar de estado para que minhas filhas estudem! Esse é o país onde moro, essa é a imprensa que temos e esse e o Governador de Minas. Talvez se voltássemos no tempo seria Aécio / Anastásia, o famoso Faraó dos tempos bíblicos, que reinava entre leite e mel e deixava o povo comer as sobras que lhe eram dadas.

Acorda Imprensa Brasileira, acordem por favor! Agora que Minas Gerais precisa de vcs, não os vejo em lugar algum! Em nosso estado, que é modelo em Educação formam-se analfabetos por causa de cobrança em cima dos professores que não podem reprovar, ONDE ESTÃO VCS REDE GLOBO, BANDEIRANTES, RECORD, SBT, procuro e não os acho, será que são virtuais, somente virtuais?
Um Pai que quer o melhor para seus filhos e não pode pagar uma escola particular.


Wagner.

sábado, 15 de maio de 2010

VERGONHA NACIONAL

QUANDO CRITICAR UMA GREVE, PRIMEIRO TENTE ENTENDER OS MOTIVOS. A EDUCAÇÃO JÁ DEIXOU DE SER PRIORIDADE NO ESTADO E NO BRASIL. BASTA VOCÊ PAI, ALUNO OU QUALQUER CIDADÃO VER AS CONDIÇÕES DE TRABALHO NUMA ESCOLA. ALGUÉM POR ACASO SABE QUANTO UM ALUNO "CUSTA" PARA O GOVERNO?SERÁ QUE "VALE" MAIS DO QUE UM PRESIDIÁRIO? EDUCAÇÃO COMEÇA QUANDO O CIDADÃO TEM A CAPACIDADE DE SER CRÍTICO E DE SE INDIGNAR PERANTE AOS DESMANDOS DOS NOSSOS "NOBRES" GOVERNANTES.

E AINDA TEM UM VEREADOR BABACA AFIRMANDO QUE SE QUER SALÁRIO QUE VÁ DAR AULAS NA UEMG OU UFOP, COMO SE NAS UNIVERSIDADES O SALÁRIO FOSSE TÃO BOM ASSIM. INFELIZMENTE NOSSOS POLÍTICOS QUE NOS REPRESENTAM, SÓ ESTÃO INTERESSADOS NO SEU PRÓPRIO BOLSO. PERCEBA: 500 REAIS (MENOS QUE UM SALÁRIO MÍNIMO) PARA UM PROFESSOR COM CURSO SUPERIOR.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Inscrições para o Curso de Técnico em Química da EMIP 2010


Estão abertas as Inscrições para o Curso de Técnico em Química da Escola Municipal Governador Israel Pinheiro de João Monlevade MG

INSCRIÇÃO: 12 de maio a 10 de junho de 2010 na ENIP - João Monlevade
Tel.: 31 - 3851 6043 / 31-3851 6066
Para mais informações acessar o blog:

A greve nossa de cada dia

É impressionante ouvir a opinião de pais e alguns jornalistas a respeito de nossa greve.

Dizem que ela é uma greve política, e que só em ano eleitoral é que nós professores levantamos a bandeira.

Pois bem, nosso país infelizmente só funciona de 4 em 4 anos e como todos sabem de 4 em 4 anos também tem copa do mundo e ai....

....esquecimento,alienação,demagogias ao extremo,politicagem e etc,etc,etc.

É exatamente nesse ano que precisamos enxergar a falta de compromisso de nossos governantes com a educação, saúde ou segurança? Lógico que não. Mas é nesse período que não podemos nos iludir com as falsas promessas ou com as propagandas enganadoras.

Foi exatamente nesse ano que o GOVERNO resolver dar 10% e DUAS gratificações (prêmio por produtividade), qual será o motivo?Ganhar votos? Acho que não, pois nossos governantes não são tão "maliciosos", são na verdade "generosos".

Antes de qualquer um julgar se é legal ou ilegal uma greve, devemos primeiro avaliar as condições de quem está nessa greve.

Quando jornalistas dizem que é um absurdo essa greve, deveriam ter coragem de falar o mesmo quando a polícia também reivindica, mas acho que alguns jornalistas não gostam dos professores, pois hoje para ser um jornalista, basta a prática. Agora para ser um professor, é preciso muitos anos de dedicação numa faculdade de licenciatura e ainda alguns outros anos fazendo uma especialização.

Agora quanto aos pais que não "aguentam" mais seus filhos em casa, me desculpe mas já foi o tempo que professor era chamado de "tio ou tia" para ter que ensinar o que muitos não conseguem como o respeito e a civilidade.

Felizmente muitos pais não cumulam dessa ideia, pois são conscientes e sabem da nossa luta.

Aos que dizem tão preocupados com o tempo de nossa greve, fica aqui uma sugestão quando retornarmos: Vá um dia a escola, ou melhor, acompanhe nosso trabalho por uma semana para ver o que é ser professor no dia de hoje com o salário que esse governo nos paga e aos pais que só sabem reclamar acompanhe mais de perto a educação de seus filhos e participe mais das reuniões de pais, pois tenho certeza que são esses que NUNCA comparecem a escola, quando muito no dia da matrícula.

Estou recomeçando....

Depois um um tempo sem postar, estou de volta.
Pretendo postar sempre que sobrar um"tempinho" minhas opiniões sobre alguns fatos que julgo ser importante.
Hoje lendo o Jornal A Notícia, observei um trecho onde o NOBRE Vereador Sinval diz de que "se professor quer ganhar bem tem que dar aula na UEMG ou na UFOP.
Percebo que o NOBRE vereador não conhece a REALIDADE de nosso país, pois professor da UEMG e da UFOP não ganha tão bem assim.
Acho que se professor quer ser BEM remunerado tem que se tornar político como o NOBRE vereador, que a propósito aumenta o seu próprio salário sem precisar de recorrer a GREVE.